Talvez minha história com os livros tenha começado muito antes de eu imaginar que um dia escreveria os meus.
Ainda criança, adquiri o hábito da leitura de uma maneira simples. No caminho, passava em frente à biblioteca municipal e, sempre que podia, entrava. Lia um pouco, descobria um novo livro, uma nova história, outro mundo. Sem perceber, aquelas visitas foram deixando algo em mim: a curiosidade pelas palavras e a certeza de que um livro pode nos levar muito além do lugar onde estamos.
A espiritualidade também esteve presente desde cedo. A mediunidade se manifestou ainda na infância, embora durante muitos anos eu tenha preferido negá-la. Com o tempo, compreendi que algumas experiências não desaparecem simplesmente porque decidimos não olhar para elas. Chegou o momento em que precisei encontrar minha própria maneira de lidar com essa dimensão da vida.
Foi na escrita que encontrei esse caminho.
Em vez de transformar minha espiritualidade em uma rotina religiosa ou doutrinária, escolhi compartilhar reflexões, experiências e aprendizados por meio de blogs e, posteriormente, dos livros. Escrevo sobre espiritualidade sem a intenção de estabelecer dogmas ou oferecer verdades definitivas. Prefiro as perguntas que ampliam a consciência às respostas que encerram o pensamento.
Mas não escrevo apenas sobre aquilo em que acredito. Escrevo também sobre aquilo que me fascina.
Sou apaixonado por ficção, pelo universo e pelos grandes mistérios da existência. Interesso-me pelas relações entre pensamento, energia e consciência, pela prática das virtudes e pelas linguagens simbólicas que atravessam diferentes culturas e épocas. Esse mesmo desejo de compreender levou-me a aprofundar meus estudos sobre Tarô, Numerologia e outros caminhos de autoconhecimento.
Talvez por isso meus livros percorram territórios tão diferentes. Em alguns, falo de espiritualidade e mediunidade; em outros, de consciência, comportamento e transformação pessoal. E, quando escrevo ficção, permito que a imaginação me conduza a mundos, personagens e possibilidades que talvez nunca existam — mas que podem revelar algo profundamente verdadeiro sobre nós.
Escrevo por paixão. E cada novo livro também é um desafio: procuro não apenas contar outra história, mas descobrir até onde minha própria escrita pode chegar.
Depois de tantos caminhos, continuo reconhecendo em mim algo daquele menino que entrava na biblioteca movido pela curiosidade. A diferença é que hoje, além de abrir livros para descobrir novos mundos, tenho a felicidade de criar alguns deles e compartilhá-los com outras pessoas.
Se uma história, uma reflexão ou mesmo uma única frase que escrevi permanecer na memória de alguém, despertar uma pergunta, oferecer esperança ou provocar uma nova maneira de enxergar a vida, então a escrita já terá cumprido uma parte importante de seu propósito.
Porque, no fim, talvez seja isso que mais me fascine nos livros: nós os escrevemos com palavras, mas é dentro de cada leitor que eles encontram o seu verdadeiro significado.
Roberto Ikeda
*Palavras que permanecem. Histórias que transformam.*
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