Adentrar as páginas de Juliana, Flor da Cana é submeter-se ao magnetismo avassalador de uma Amazônia que pulsa entre a fúria das tempestades de janeiro e a doçura rústica dos canaviais do Maicá. O autor, Luiz Felipe Amil, nos transporta com maestria para a alvorada da década de 1920, um período em que a modernidade e o progresso batiam com força às portas de pedra de Santarém, chocando-se de frente com a ancestralidade indômita e mística das terras de várzea e igapó.
No cerne desta narrativa lírica e vigorosa, encontramos o embate eterno entre a civilização que tenta delimitar o mundo através de equações, leis e cercas, e a natureza soberana que corre livre como as águas do rio Tapajós. Esse contraste ganha vida na rigidez matemática e moral de Dona Marisa e na ganância impiedosa do feitor Abelardo, cujas ameaças de ferro e fogo pairam sobre a floresta como fumaça preta.
Contudo, é no encontro febril entre o jovem Milton Colares e a magnética Juliana que a obra atinge seu ápice poético. Juliana não é apenas uma personagem; ela é a própria personificação do Maicá. Carrega na pele dourada o mormaço da tarde, nos cabelos o perfume inebriante da garapa fresca e no olhar o mistério profundo dos rios à noite. Como a Gabriela amadiana, Juliana desarma as convenções sociais da aristocracia santarena com sua pureza despretensiosa e uma sensualidade natural que brota diretamente do chão que pisa descalça.
| Número de páginas | 110 |
| Edição | 0 (2026) |
| Formato | A5 (148x210) |
| Acabamento | Brochura c/ orelha |
| Coloração | Colorido |
| Tipo de papel | Offset 80g |
| Idioma | Português |
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