O parque de diversões parecia outro mundo quando os portões se fechavam.
Durante o dia, era riso espalhado pelo vento, cheiro de algodão-doce, luz piscando sem parar e música competindo com o grito das crianças na montanha-russa. Mas à noite… à noite era silêncio.
E no meio desse silêncio estava Anderson.
Jaqueta escura, botas gastas, olhar atento. Ele caminhava devagar pelo corredor principal do parque, lanterna na mão, como se vigiasse não só brinquedos e barracas, mas algo muito mais frágil.
O próprio coração.
A roda-gigante girava lentamente por inércia, rangendo baixo, iluminada por luzes amarelas que piscavam como lembranças insistentes. Anderson parou ali, como fazia quase todas as madrugadas.
— Engraçado… — murmurou para si mesmo. — Eu vigio tudo… menos o que eu sinto.
O vento da madrugada trouxe um arrepio. Não era frio. Era memória.
Vanessa.
O nome dela vinha como uma equação que ele nunca conseguiu resolver. Professora de matemática. Mulher firme. Pé no chão. Não aceitava desculpas mal explicadas, nem promessas vazias. Tinha uma beleza que não era só física — era postura, era olhar direto, era verdade.
E foi justamente com a verdade que ele falhou.
Anderson passou a mão pelo rosto, respirando fundo. Ele nunca tinha sido um homem mau. Mas orgulho e medo transformam qualquer homem em alguém que machuca sem perceber.
Na cabine da roda-gigante, ele subiu os degraus metálicos e sentou-se no banco mais alto. Dali dava pra ver a cidade inteira dormindo. As luz
| Número de páginas | 251 |
| Edição | 4 (2026) |
| Formato | A5 (148x210) |
| Acabamento | Capa dura |
| Coloração | Preto e branco |
| Tipo de papel | Offset 80g |
| Idioma | Português |
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