Este livro reconstrói a trajetória de Manoel Urbano da Encarnação, prático do rio Purus e figura central na organização da Amazônia Ocidental no século XIX. Mais do que uma biografia, a obra propõe uma leitura crítica da história a partir do homem que abriu rotas e orientou expedições científicas, mas que terminou à margem do reconhecimento oficial.
Entre arquivos fragmentários e silêncios reveladores, Urbano emerge como um processo histórico e síntese viva de saberes indígenas. Negro-Mura por formação, desenvolveu uma inteligência anfíbia, moldada pela leitura das águas. Sua ciência não vinha da cátedra, mas da canoa; seu método estava incorporado nos calos das mãos e na escuta das fronteiras de um Império que ainda não cabia nos mapas, mas já era sustentado por seu suor.
Ao investigar como foi possível que Urbano fosse esquecido, o livro realiza uma autópsia da construção da Amazônia pelo Estado, que se apropriou de seus mediadores negando-lhes herança simbólica. Enquanto o luxo da borracha celebrava Verdi no Teatro Amazonas, o homem que garantira a base geográfica daquele luxo morria na periferia de Manaus. Sua morte foi o sepultamento de um dicionário escrito em água e suor.
Esta obra é um réquiem e um chamado à vigília. É uma salva de tiros literária que substitui a lápide que ele nunca possuiu, reafirmando a identidade amazônica. Ao final, Urbano deixa de ser um herói sem busto para se tornar o próprio rio, correndo na memória coletiva.
| ISBN | 9786501911588 |
| Número de páginas | 700 |
| Edição | 1 (2026) |
| Formato | 16x23 (160x230) |
| Acabamento | Brochura s/ orelha |
| Coloração | Preto e branco |
| Tipo de papel | Ahuesado 80g |
| Idioma | Português |
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