A estrada para Anguêretá começava a desaparecer antes mesmo de chegar ao distrito.
Eu seguia pela BR-040 quando o asfalto ficou para trás e a poeira vermelha subiu pelas laterais do carro, cobrindo os vidros com uma película fina. À direita, os caminhões passavam pesados, levantando nuvens que demoravam a baixar. À esquerda, a estrada vicinal se estreitava entre eucaliptos altos, pastos amarelos e moitas de assa-peixe. Depois da bifurcação, não havia placa, casa ou poste que pudesse servir de referência. Só a terra batida, o mato seco e a sensação de que qualquer caminho tomado dali em diante levaria ao mesmo lugar.
Anguêretá ficava a aproximadamente setenta quilômetros de Sete Lagoas, ligado administrativamente a Curvelo. Nos mapas, era um ponto pequeno, quase uma anotação esquecida entre cidades mais importantes. Para quem vivia ali, porém, o distrito tinha tamanho suficiente para guardar segredos durante décadas.
Eu aprendi isso no primeiro dia em que parei diante da praça.
As árvores antigas faziam sombra sobre os bancos de cimento. Havia uma igreja de fachada simples, uma venda com portas largas e um bar onde três homens bebiam cerveja morna antes do meio-dia. O sino da igreja marcou onze horas, mas ninguém levantou os olhos. Uma mulher atravessou a praça carregando uma sacola de pano. Um menino chutou uma tampinha contra o meio-fio. Mais adiante, um caminhão passou na rodovia e seu motor chegou até nós como um trovão distante.
| Número de páginas | 321 |
| Edição | 1 (2026) |
| Formato | A5 (148x210) |
| Acabamento | Brochura c/ orelha |
| Coloração | Preto e branco |
| Tipo de papel | Estucado Mate 150g |
| Idioma | Português |
Tem algo a reclamar sobre este livro? Envie um email para [email protected]
Faça o login deixe o seu comentário sobre o livro.