Há noites em que a escuridão não chega de repente. Ela se aproxima devagar, silenciosa, ocupando os cantos, escondendo os caminhos e fazendo com que até os sons mais distantes pareçam avisos.
Foi numa noite assim, sob o céu carregado da Transilvânia, que Luna começou a existir para mim. Antes mesmo de conhecer seu rosto, eu já sentia sua presença entre as árvores, no galope solitário de um cavalo, no intervalo entre dois trovões, naquele silêncio estranho que nunca é verdadeiramente vazio. Há histórias que nascem de uma ideia. Outras nascem de uma pergunta. Luna nasceu de um pressentimento.
Durante muito tempo, carreguei comigo a imagem de uma pequena amazona atravessando uma floresta escura, conduzindo um corcel branco por uma trilha quase esquecida. Eu não sabia para onde ela ia, de quem fugia ou o que a esperava adiante. Sabia apenas que havia algo naquela jornada que não podia ser interrompido. Algo antigo, oculto e perigoso demais para permanecer adormecido.
Escrever este livro foi seguir essa presença. Foi aceitar que algumas respostas só aparecem quando temos coragem de avançar para dentro da mata, mesmo sabendo que talvez não encontremos o caminho de volta exatamente como o deixamos. Cada página foi uma tentativa de ouvir o que se esconde por trás dos ruídos, das sombras e das aparências. E, sobretudo, de compreender que os maiores mistérios nem sempre estão em lugares distantes. Às vezes, eles vivem dentro de nós.
| Número de páginas | 279 |
| Edição | 1 (2026) |
| Formato | A5 (148x210) |
| Acabamento | Brochura c/ orelha |
| Coloração | Preto e branco |
| Tipo de papel | Estucado Mate 150g |
| Idioma | Português |
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