Uma coisa mágica que o livro faz logo após o primeiro parágrafo é montar na mente uma logística que vira referência para toda a história. Enquanto lia, uma tela de cinema se abriu, mostrando com detalhes os lugares e os rostos dos personagens. Mas era um filme diferente, com uma experiência nova: sentir a respiração, o cheiro de orvalho da aldeia, o odor insuportável da madeira do porão do navio — impregnada da indignidade a que eram submetidos —, o feijão azedo, o barulho e o peso das correntes.
Sentiam-se os olhares de espanto, dor e saudade; a fé refinada a cada desafio superado; a voz de cada personagem, a textura das roupas e os gritos que rompiam meus tímpanos no silêncio da noite enquanto eu atravessava cada página.
Foi uma experiência de regressão e de ancestralidade que também vive em mim — eu que trago em meu DNA tantas delas e sou atravessada a cada toque dessa memória. O livro é uma pérola para educar, humanizar e contar a história por quem a vive, não por quem apenas ouviu falar. Essa potência dá ao griô o idioma correto, capaz de conectar o leitor à obra.
Chorei em vários momentos: por aqueles que não puderam reencontrar os seus, por aqueles cujos vínculos foram quebrados e por gerações que ficaram à deriva, porque a estrada de volta foi destruída, suas heranças foram apagadas e suas famílias além-mar jamais voltarão a se encontrar. Eduarda Pitanga Muffato Grécia, autora da obra
MODERNIDADE QUÂNTICA: A Era da IA e do Pós-Humano
| ISBN | 978-65-266-4941-1 |
| Número de páginas | 150 |
| Edição | 2 (2024) |
| Formato | A5 (148x210) |
| Acabamento | Brochura c/ orelha |
| Coloração | Preto e branco |
| Tipo de papel | Offset 90g |
| Idioma | Português |
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