JOHN RAVEN EM O PROJETO CÍRCULO AZUL;
“A cidade respirava um nevoeiro elétrico naquela noite. Luzes de néon tremeluziam como feridas abertas nas fachadas, e o vento trazia consigo um cheiro metálico que Raven não conseguia identificar. Havia algo no ar além da chuva iminente — uma frequência que fazia os dentes rangerem e as sombras se moverem com vontade própria. Raven apertou o colarinho do sobretudo e seguiu pela rua estreita, cada passo um pequeno protesto contra a urgência que o chamava.”
O primeiro sinal apareceu numa clínica de reabilitação à beira do rio. Pacientes relatavam sonhos idênticos: um círculo azul projetado no teto, pulsando como um coração alienígena. Alguns acordavam com memórias que não eram suas. Outros, com a sensação de terem vivido vidas inteiras em minutos. A direção da clínica chamou a polícia. A polícia chamou Raven.
Raven não acreditava em milagres. Não acreditava em fantasmas. Acreditava em padrões. E padrões, para ele, eram pistas disfarçadas de coincidência. Quando entrou na sala onde os pacientes descreviam o círculo, sentiu algo diferente — não medo, mas reconhecimento. Era como se uma peça de um quebra-cabeça que ele nem sabia que possuía tivesse encaixado.
No canto da sala, um projetor antigo jazia coberto por um lençol. Havia marcas de umidade e um fio cortado. Raven puxou o tecido com a ponta dos dedos. O metal estava frio. No fundo do aparelho, gravado com uma precisão quase obsessiva, havia um símbolo.
| Número de páginas | 141 |
| Edição | 1 (2026) |
| Idioma | Português |
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