A Última Visão
A noite caiu sobre Giovanni como um manto que já conhecia o seu nome.
Sentou‑se sozinho na sala onde o caderno repousava aberto, e a lamparina
tremeluziu como se alguém respirasse do outro lado do vidro. Não houve trovão
nem clarão; a visita veio como se a casa tivesse sempre esperado por ela — lenta,
precisa, com a autoridade de quem atravessou o rio de espelhos.
No primeiro instante, viu apenas sombras que se alinhavam na porta. Depois as
formas tomaram rosto: Dona Maria da Penha, pequena e inteira; Bira, com as
mãos manchadas de remédio e culpa; Benedito, o pai, com o olhar de
farmacêutico que pesa fórmulas e destinos. Estavam ali sem corpo, mas com a
densidade de quem nunca deixou a vila.
— Filho, — disse Dona Maria, e a voz dela era água que limpa e corta ao mesmo
tempo. — não temas o que já passou. Aprende o que ficou.
Giovanni sentiu as palavras como um toque na nuca. Bira sorriu com a tristeza de
quem sabe o preço do erro; Benedito inclinou a cabeça, como quem confirma
uma receita.
— Trouxemos algo que não cabe em papel, — falou Benedito, a voz seca de quem
conhece doses. — uma ordem e uma advertência.
Bira acrescentou, com a pressa de quem quer consertar: — E um modo de curar o
que eu quebrei.
Dona Maria aproximou‑se e pousou a mão sobre o caderno de Giovanni, como se
selasse um juramento.
| Número de páginas | 368 |
| Edição | 1 (2025) |
| Formato | A5 (148x210) |
| Acabamento | Brochura c/ orelha |
| Coloração | Preto e branco |
| Tipo de papel | Offset 80g |
| Idioma | Português |
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