Nada aqui se concede ao adorno ou à futilidade da rima bonita. O que se ajunta nestas páginas, ao longo de quinze anos estéreis (2011–2026), não é peça de luxo para enfeite de prateleira, mas o registro seco de uma existência que se recusa a mentir para si mesma. Maurício Possa Lopes traça a linha dura de um homem que olhou para o sol sem piscar, aceitando-lhe a queimadura sem soltar um só gemido de autocompaixão.
A princípio, ainda transparece a ilusão da carne, o vinho, o vestígio das pedras antigas e o delírio da juventude. Mas o tempo é bicho roedor que não se apieda. Aos poucos, a linguagem vai perdendo a gordura, esfolando-se até os ossos. O verso cede lugar ao corte do aforismo; a paisagem arqueológica dá passo ao asfalto cru, à solitude das ruas, ao espetáculo miúdo e grotesco dos homens amordaçados pela rotina.
Não há socorro na filosofia nem consolo nas letras. Nietzsche, Kierkegaard e os desgraçados da vida real surgem não como pretexto para erudição vária, mas como testemunhas da mesma verdade áspera: a engrenagem do mundo é bruta, cega e mal ajustada. O indivíduo sobrou.
Em quatro etapas sem floreios, POEMAS (2011–2026) entrega o saldo de quem tirou a maquiagem das palavras e encarou a realidade em sua feição de pedra. É livro severo, de pouca conversa e sem concessões, feito para quem não tem medo de encarar o essencial.
| Número de páginas | 168 |
| Edição | 1 (2026) |
| Formato | A5 (148x210) |
| Acabamento | Brochura c/ orelha |
| Coloração | Preto e branco |
| Tipo de papel | Ahuesado 80g |
| Idioma | Português |
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