Em um cenário onde a miséria não perdoa e a inocência é um luxo inalcançável, uma jovem desamparada tem sua vida e seu corpo brutalmente invadidos. Escrito em uma sequência de onze poemas em prosa e narrado em um fluxo de consciência visceral e claustrofóbico, o livro acompanha a descida da protagonista a um abismo físico e psicológico após ser violentada por um homem influente de sua comunidade.
Quando o trauma silencioso se transforma nas marcas visíveis de uma gravidez indesejada, o verdadeiro horror da narrativa se revela: a traição dentro da própria casa. Em vez de amparo, a menina encontra o ódio e a vergonha. Para proteger a reputação do agressor e evitar o escândalo perante a vizinhança, a mãe da jovem assume o papel de carrasco. Trancada em um quarto, silenciada e submetida a um aborto mecânico e letal pelas mãos de quem deveria protegê-la, a protagonista sangra até a morte, enquanto a rotina da casa segue com uma indiferença aterradora.
Iniciado por um prefácio chocante escrito pela própria mãe, que justifica o injustificável e culpa a filha por sua própria desgraça, a obra é um relato cru, incômodo e doloroso. Mais do que uma história sobre violência, este livro é uma denúncia poética sobre a cumplicidade familiar, a hipocrisia social e a engrenagem cruel do silêncio que esmaga os mais vulneráveis. Um testamento de sangue de quem teve a voz roubada, mas que agora ecoa de forma ensurdecedora a cada página.
| ISBN | 9786502192627 |
| Número de páginas | 71 |
| Edição | 1 (2020) |
| Formato | 16x23 (160x230) |
| Acabamento | Brochura c/ orelha |
| Tipo de papel | Estucado Mate 150g |
| Idioma | Português |
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