O bater seco do metal contra o batente de
concreto dita o ritmo do tempo aqui
dentro. É um som pesado, frio e definitivo,
que rasga o silêncio das galerias e avisa
que mais um dia terminou e que as portas
de aço de seis polegadas estão trancadas.
Para muitos, esse estalido representa o fim
da esperança e o início do isolamento
mental. Para mim, tornou-se o sinalizador
de que a minha verdadeira missão diária
estava apenas começando. É exatamente
sob o eco desse barulho, dividindo o espaço
restrito de uma cela quente com quatorze
homens onde originalmente caberiam seis,
que esta caneta ganha vida.
Escrever este livro no ano de 2026,
enquanto cumpro uma extensa pena
imposta pela justiça dos homens no Centro
de Detenção e Ressocialização de Linhares
(CDRL), não é um exercício de vaidade
literária. É uma necessidade urgente de
registrar a história. Fui testemunha ocular
do período mais sombrio do sistema
prisional capixaba, a época em que o caos
dos "Cadeiões" dominava, em que o
"Tribunal do Crime" decidia quem veria o
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sol no dia seguinte e em que seres humanos
eram amontoados em contêineres de metal
sob denúncias internacionais na ONU. Vi de
perto a transformação física e estrutural
dessas muralhas. Vi a tecnologia chegar, as
câmeras assumirem o monitoramento e o
modelo automatizado tentar impor a
ordem onde antes reinava a barbárie.
| Número de páginas | 109 |
| Edição | 1 (2026) |
| Idioma | Português |
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