Há um momento, no consultório, que se repete com uma regularidade que já deixou de me surpreender. A pessoa senta, respira fundo e diz algo como: "Recebi o diagnóstico. Agora eu sei o que eu tenho." E, no segundo seguinte, uma pergunta que quase nunca é dita em voz alta, mas que está ali, pressionando por trás dos olhos: "E agora, quem eu sou?"
O diagnóstico de TDAH chega, muitas vezes, como um alívio. Depois de anos sendo chamado de disperso, de preguiçoso, de "muito inteligente, mas sem foco", de "cheio de potencial, mas indisciplinado", a pessoa finalmente encontra um nome para aquilo que sempre sentiu, mas nunca conseguiu explicar. Esse alívio é real e merece ser respeitado. Um diagnóstico bem feito organiza. Ele tira da pessoa o peso de acreditar que seu sofrimento era falta de caráter.
Mas o alívio de nomear tem um risco silencioso. Ele pode, sem que ninguém perceba, se transformar em um novo tipo de prisão. Quando o diagnóstico vira a única lente pela qual alguém passa a se enxergar, a pessoa some atrás da sigla. Deixa de ser Marina, que ama desenhar, que tem uma relação complicada com a mãe, que sempre se sentiu em dívida com o próprio pai, e passa a ser, para si mesma, apenas "uma TDAH". O sujeito, com toda a sua história, sua singularidade, seus conflitos e seus desejos, corre o risco de desaparecer atrás de um código do manual diagnóstico.
É exatamente nesse ponto que a psicanálise tem algo a dizer.
| Número de páginas | 237 |
| Edição | 1 (2026) |
| Formato | A5 (148x210) |
| Acabamento | Brochura c/ orelha |
| Coloração | Preto e branco |
| Tipo de papel | Ahuesado 80g |
| Idioma | Português |
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