A guerra das Flores
Um escritor em busca de poesia recorre a quem? Às flores. Famosas por sua beleza, cores e perfume, seriam a fonte de inspiração ideal:
"Vou pegar meu notebook, colocar um vaso de flores na frente e vou escrever poemas."
Parecia uma ideia genial, mas o que o escritor não esperava é que as flores cobrassem para tal.
"Te daremos cem poemas por mil beijos", disse a Orquídea.
Ao escritor pareceu loucura.
"Beijar uma flor. Nem pau."
Então ela disse:
"Beijar uma flor parece loucura; mostrar a xer*** por dinheiro, sabedoria. Mas, se quiser os tais poemas, ao menos nosso cheiro você terá que sentir…"
Desde então, o escritor — que se via como ser iluminado, dotado de intelectualidade — percebeu que se tornaria, na verdade, um escravo, caso quisesse os tais poemas.
Mas, entre escravo do mundo e escravo das flores, ele fez a escolha certa.
Se porventura virem alguém sentado no chão, conversando com a Perpétua, em algum muro, dando um cheirinho no cangote da primavera, não julguem ser falta de pudor. É apenas o escritor e a flor, na guerra por poemas. Numa brutal negociação pelos tais cem. Que não serão de mais ninguém.
“Quantos poemas já temos?” Uma mixaria :(
Leia A guerra das Flores, que inaugura o selo:
UTU | Antes do Mundo
O impulso. O improviso. A coragem.
Antes das regras. Antes das escolas. Antes da técnica.
UTU publica obras que surgem porque têm de existir. Livros inaugurais. Vozes que chegam. Textos que não esperam.
O Silêncio é opcional.
| Número de páginas | 114 |
| Edição | 1 (2025) |
| Formato | A5 (148x210) |
| Acabamento | Brochura c/ orelha |
| Coloração | Preto e branco |
| Tipo de papel | Ahuesado 80g |
| Idioma | Português |
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