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Desde a infância, a leitura e o desenho jamais foram meros passatempos — eram portais sagrados. Portais que se abriam como fendas luminosas no tecido da realidade, conduzindo-me a mundos que nasciam da centelha invisível da imaginação, alimentados por cada paisagem que meus olhos captavam e que minha mente transfigurava em mito. Eu escrevia pequenos contos como quem descobre universos proibidos, e cada história erguida era uma fogueira acesa contra a noite, uma chama indomável ardendo no centro do meu espírito.
Em 2015, os primeiros alicerces desta obra começaram a emergir como ruínas ancestrais sendo desveladas pelo tempo — esboços ainda tímidos na forma, mas já impregnados de alma e destino. Eram traços que sussurravam promessas. Eram sementes enterradas no silêncio. E então, em 2017, aquilo que fora gestado nas profundezas finalmente rompeu o véu e veio à luz. Não nasceu apenas de ideias: nasceu do âmago incandescente do meu ser, das mais altas aspirações que ousaram tocar o impossível, dos sonhos que sobreviveram às tempestades, ao cansaço e ao silêncio das eras.
Essa jornada foi solitária como toda grande travessia interior. Cada personagem foi esculpido com devoção quase ritualística, cada cenário erguido como um monumento à imaginação. As ideias não vieram prontas — foram conquistadas, lapidadas, arrancadas do caos criativo como relíquias raras. Houve noites longas, silêncios densos e batalhas invisíveis travadas no campo da própria mente.
Privilegium não é apenas um enredo. É um juramento selado no fogo da imaginação. É a materialização de um sonho antigo, forjado nas fornalhas do espírito, temperado pelo tempo e eternizado pela persistência de uma única chama criadora que se recusou a se apagar.