Quase dez anos atrás, voei do Nepal ao Butão. Para minha decepção, o dia estava nublado. A
rota seria rumo leste, atravessando uma a uma as grandes montanhas do Himalaia. Ficam no
Nepal oito dos maiores picos do planeta. Muitos anos atrás, eu já havia avistado três. Agora,
acabara de conhecer dois outros, faltavam os demais.
Mas eu me esquecera de que, por mais alto que viajem as nuvens, as grandes montanhas
vivem acima. E elas foram aparecendo na minha janela, como se flutuassem numa branca
camada de céu. Eram fantasmas voadores, feitas de pura rocha imaterial.
A primeira foi o robusto Dhaulagiri, depois o suave Annapurna, dias antes tinha voltado de
seu campo base. No centro, a eterna pirâmide do Everest. Mas a minha expectativa era
avistar o Kangchenjunga, o último deles, com seu enorme corpo estendido, dentre todos o
meu favorito.
Foram dois ingleses os primeiros a conquistar esse maciço, na divisa do Nepal com Sikkim.
Mas eles não pisaram no seu cume, numa promessa que fizeram ao monarca local de não
violar essa montanha sagrada.
Kangchenjunga significa os cinco tesouros da alta neve, numa menção a seus cinco cumes –
que o destemido Anatoly Bukreev conquistou pela primeira vez em absurdas jornadas de
inverno. Dias antes, eu conhecera emocionado o monumento em sua homenagem no
Annapurna, onde uma avalanche o levou para sempre.
E, quando cheguei ao Butão, descobri que todas as suas montanhas são sagradas.
| ISBN | 9786598645199 |
| Número de páginas | 176 |
| Edição | 1 (2026) |
| Formato | A5 (148x210) |
| Acabamento | Brochura c/ orelha |
| Coloração | Colorido |
| Tipo de papel | Offset 80g |
| Idioma | Português |
Tem algo a reclamar sobre este livro? Envie um email para [email protected]
Faça o login deixe o seu comentário sobre o livro.