A Estética do Despojo e a Verdade da Fissura
Há livros que se leem e livros que se atravessam como quem cruza uma fronteira sem documentos: com o pulso acelerado e os sentidos em alerta. "Versos Inversos: Rachaduras na Fachada" é um deles. Miguel Angel Dias não nos oferece uma coleção de poemas, mas um inventário do que resta quando as instituições desmoronam e sobra apenas a carne, o desejo e a memória.
O Território como Destino
A obra nasce em um lugar que é, em si mesmo, um poema: a fronteira entre Rivera e Livramento. Mas, para o autor, a fronteira não é um limite administrativo, é uma ontologia. É o "Portunhol da alma", esse espaço onde o espanhol da receita federal se rende ao português dos sentimentos. Ao escrever, Miguel habita essa hibridez, lembrando-nos de que a identidade não é um muro de pedra, mas um rio que flui, se suja e se purifica constantemente.
A Fachada e a Carne
O conceito central desta entrega é a tensão. Por um lado, a "Fachada": as fotos de igrejas imponentes no Brasil, Portugal e Espanha; estruturas que buscam projetar uma divindade estática e uma ordem eterna. Por outro, o "Verso Inverso": o comentário visceral que brota do chão. Onde a fachada oferece incenso, o verso responde com suor, com "peixinhos mortos", com o realismo escatológico de quem sabe que "todos cagamos para baixo". Miguel nos convida a olhar para a rachadura não como um defeito da construção, mas como o único lugar por onde a verdade pode espiar.
| ISBN | 9786501957593 |
| Número de páginas | 81 |
| Edição | 1 (2026) |
| Formato | A4 (210x297) |
| Acabamento | Brochura s/ orelha |
| Coloração | Colorido |
| Tipo de papel | Offset 90g |
| Idioma | Português |
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