Há um momento na vida em que a pergunta deixa de ser curiosidade e passa a ser necessidade.
Nem sempre esse momento coincide com a juventude inquieta, nem com a maturidade produtiva. Às vezes ele surge quando o ritmo externo diminui. Outras vezes, quando algo interno se torna impossível de ignorar.
A pergunta é simples:
Quem sou eu na história da minha vida?
Na juventude, buscamos identidade como quem busca pertencimento. Queremos definir-nos para ocupar um lugar. O mundo ainda está sendo explorado, e a energia está voltada para fora. A introspecção profunda raramente encontra espaço, porque a construção da vida exige movimento.
Na fase adulta produtiva, a pergunta costuma ser substituída por outras mais urgentes:
Estou vencendo? Estou sustentando? Estou cumprindo meu papel? O “eu” torna-se função.
O papel ocupa o lugar da essência.
Não é erro. É fase.
Mas chega um tempo — não determinado apenas pela idade cronológica — em que o movimento externo já não preenche completamente o espaço interno. Algo começa a pedir integração. E então a pergunta volta.
Às vezes ela surge num momento silencioso antes de dormir.
Às vezes em meio a uma conquista que não trouxe a satisfação esperada.
Às vezes ao olhar para os filhos já adultos e perceber que a missão de formar terminou — mas a missão de compreender-se ainda não.
A idade cronológica soma anos.
A maturidade soma consciência.
Há jovens capazes de observar seus próprios pensamentos com clareza impressionante.
Há idosos que continua
| Número de páginas | 16 |
| Edição | 1 (2026) |
| Idioma | Português |
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