Em O Homem de Costas, Sidiney Breguêdo nos apresenta um mosaico de existências anônimas, de pessoas que seguem caminhando — ou resistindo — em direção oposta ao observador. São figuras à margem, silenciosas ou emudecidas pela força dos acontecimentos, cujas histórias revelam as múltiplas camadas da condição humana.
No conto de abertura, "A gota", a memória é perfurada pela violência da ditadura militar, onde o peso de uma única gota pode desestabilizar todo um passado. Já em "Borboletas na Aljava", a crueza do cotidiano surge na figura de um químico que, no porão de um supermercado, trava uma guerra silenciosa e invisível contra ratos — uma luta que reflete, em microcosmo, os embates internos de um homem sitiado pela própria rotina.
Mas nem todos os contos são tão ásperos. Em "O homem", Breguêdo flerta com o lírico e o apocalíptico: o mundo chega ao fim, e resta um único sobrevivente. Sozinho diante do nada, o último homem carrega nos ombros o peso de toda uma humanidade extinta — um retrato poderoso da solidão e da memória como derradeiros refúgios.
Com uma prosa precisa e atmosférica, O Homem de Costas é um livro sobre aqueles que não olham para trás — ou que, quando o fazem, já não encontram mais ninguém para testemunhar.
| Número de páginas | 259 |
| Edição | 1 (2026) |
| Formato | A5 (148x210) |
| Acabamento | Brochura c/ orelha |
| Coloração | Preto e branco |
| Tipo de papel | Ahuesado 80g |
| Idioma | Português |
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