Numa pequena cidade barroca de Minas Gerais, no fim da década de 1950, Aristides Pena Caldas, farmacêutico viúvo e leitor solitário, abre um caderno e começa a escrever a confissão de um crime que ninguém jamais lhe imputou. Dez anos antes, envenenara o próprio cunhado com a frieza de quem conhece cada substância pelo nome, e a década seguinte transcorrera sem suspeita e sem remorso, no respeito da cidade e no sono tranquilo de quem se julga a salvo.
O que ameaça Aristides não vem de fora. Vem de dentro. É um impulso súbito e sem causa, o mesmo que faz alguém, à beira de uma janela alta, sentir a vontade de se atirar: aquilo que os franceses chamam o apelo do vazio, e que Edgar Allan Poe chamou o demônio da perversidade. Contra todo instinto de sobrevivência, uma parte dele passa a desejar exatamente a confissão que o destruiria, e a desejá-la com mais força quanto mais perigosa ela se torna.
Na voz irônica e lúcida que vem de Machado de Assis, e com a sombra de Lúcio Cardoso e de Dostoiévski, este conto acompanha a desagregação de um homem de razão diante de uma força que a razão não alcança. É um estudo sobre a solidão de um segredo perfeito, sobre a vertigem que habita o ser humano à margem de todo abismo, e sobre a possibilidade perturbadora de que o pior inimigo de um homem seja a parte dele que quer vê-lo cair.
| ISBN | 9786502171370 |
| Número de páginas | 96 |
| Edição | 1 (2026) |
| Formato | 16x23 (160x230) |
| Acabamento | Brochura s/ orelha |
| Coloração | Preto e branco |
| Tipo de papel | Ahuesado 80g |
| Idioma | Português |
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