Toda experiência de incorporação costuma ser narrada
de fora para dentro. Observadores descrevem o
movimento do corpo, a alteração da voz, a mudança do
olhar e, em seguida, procuram explicações que
tranquilizem aquilo que não compreendem. O que
raramente se encontra registrado é o percurso subjetivo
daquele que permanece ali, habitando simultaneamente a
própria consciência e uma presença que a atravessa. O
presente livro nasce dessa ausência.
Durante muito tempo, a tradição acadêmica oscilou entre
dois extremos. Parte dela classificou o transe como
patologia, outra preferiu tratá-lo como fenômeno
exclusivamente religioso, imune a qualquer investigação
psíquica. Ambas as posições produziram silêncio. A primeira porque reduziu a experiência ao erro do funcionamento mental. A segunda porque temeu que qualquer leitura analítica fosse uma forma de profanação.
Entre essas margens, a experiência concreta do médium permaneceu sem linguagem adequada.
A psicanálise do axé não surge para explicar o sagrado nem para corrigi-lo. Sua tarefa é outra. Trata-se de reconhecer que a incorporação é também um organização do sujeito diante do outro e do coletivo. O
terreiro constitui um espaço onde o inconsciente encontra uma gramática própria, sustentada por ritmo,
corpo e ancestralidade. Quando uma entidade fala, algo do sujeito também se reorganiza.
Ao escolher uma escrita em cenas, a obra acompanha a lógica do próprio ritual. A gira não ensina por conceitos
antecipados.
| ISBN | 9786597868810 |
| Número de páginas | 160 |
| Edição | 1 (2026) |
| Formato | A5 (148x210) |
| Acabamento | Brochura c/ orelha |
| Tipo de papel | Offset 80g |
| Idioma | Português |
Tem algo a reclamar sobre este livro? Envie um email para [email protected]
Faça o login deixe o seu comentário sobre o livro.