Crônicas de um adolescente
Fui expulso, uma célula descartada pelo sistema, sendo sugado pelo colapso gravitacional de um buraco negro que distorceu minha própria essência.
Dentro daquele horizonte de eventos, a realidade desmoronou em escalas subatômicas. Eu era uma organela insignificante em um citoplasma hostil. Ali, as leis da física eram ditadas pela tirania: dragões de sombras e bruxas de nébula agiam como lisossomos gigantes, tentando me digerir, tentando me fulminar antes que eu pudesse respirar. Eu era a menor partícula daquela cadeia alimentar, o lixo biológico que tentavam reciclar no vazio. As mitocôndrias da minha esperança estavam exauridas, incapazes de produzir a energia necessária para a minha defesa, enquanto eu era pisoteado sob o peso da desvalia.
Mas, na agonia da compressão, decidi romper a membrana do meu próprio medo. A regra era clara: a dimensão do meu ser era a extensão do meu pensamento. Eu me vi como uma singularidade, uma força expansiva que não mais cabia nos limites de um hospedeiro. Imaginei-me infinito, e a matéria obedeceu.
Eu não apenas lutei; eu reescrevi a biologia daquele multiverso. Destruí as bruxas, subjuguei os dragões e liderei uma rebelião celular de todos os seres que, como eu, foram reduzidos a restos. Com a força de um núcleo que finalmente despertou, rasgamos o tecido do espaço através de um buraco de minhoca.
Retornei ao mundo da minha primeira família não como uma célula órfã, mas como uma estrela supernova
| Número de páginas | 3 |
| Edição | 1 (2026) |
| Formato | A5 (148x210) |
| Acabamento | Capa dura |
| Tipo de papel | Estucado Mate 90g |
| Idioma | Português |
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