Encontrou-se este códice entre as ruínas carbonizadas de uma biblioteca sem nome, soterrada sob o que um dia foi o planalto esmeraldino.
As páginas, costuradas em couro de origem desconhecida, guardavam sinais de queimada e uma sequência de números repetidos, como se o tempo tivesse tentado apagá-los em vão. Nenhuma assinatura. Nenhum título visível. Apenas, gravado sob a capa interna, um verbo: Esperançar.
E ao lado dele, um traço torcido — quase uma cicatriz, quase uma assinatura, quase uma letra.
Os monges que guardavam os fragmentos chamavam-no de Liber Curvus, “o livro torto”. Diziam que não devia ser lido, mas lembrado. Que cada leitura abria o mesmo texto em outra forma. Que os versos se moviam durante a noite.
O leitor não deve começar pela primeira página, dizem as notas marginais — há indícios de que o autor (ou copista) escondeu sete chaves, cada uma marcada por uma cor, um número e um silêncio. Nenhuma sequência é segura, mas há uma ordem invisível que atravessa o caos.
Lê-lo de modo linear é permanecer fora.
Lê-lo como quem decifra um espelho — é atravessar.
Cada palavra, afirmam, foi escrita em estado de fervor: algumas com tinta, outras com mel, outras, talvez, com sangue. As iniciais dos poemas formam um selo cabalístico cuja interpretação jamais foi completada. Alguns afirmam ver ali uma oração; outros, um mapa.
| Número de páginas | 99 |
| Edição | 1 (2026) |
| Formato | A5 (148x210) |
| Acabamento | Brochura c/ orelha |
| Coloração | Colorido |
| Tipo de papel | Ahuesado 80g |
| Idioma | Português |
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