Antes de qualquer palavra, havia o silêncio. Não o silêncio da paz, mas o silêncio da ausência — um vazio tecido ao longo de séculos de esquecimento do sagrado feminino. Nesse mundo aparentemente organizado, tudo funcionava com eficiência, mas a vida verdadeira parecia ausente. As mulheres eram fortes, produtivas e elegantes, porém carregavam uma melancolia invisível, como se algo essencial tivesse sido enterrado sob as exigências da adaptação e da sobrevivência.
Mary Anny cresce nesse cenário percebendo, desde cedo, uma fissura entre o que se vive e o que se sente. Enquanto o mundo valoriza a razão, a disciplina e o controle, sua alma sensível intui que existe uma verdade mais profunda escondida sob as máscaras sociais. Observando sua mãe, tias e professoras, ela reconhece mulheres que cumprem seus papéis, mas parecem desconectadas de si mesmas. Elas sobrevivem, mas não vivem plenamente.
Para pertencer, Mary Anny aprende a se adaptar. Reprime emoções, silencia intuições e molda sua personalidade para caber nas expectativas. Porém, o corpo guarda aquilo que a mente tenta negar: surgem tensões, insônias e dores que revelam um grito silencioso vindo das camadas profundas da psique e da ancestralidade feminina.
O ponto de ruptura surge diante do espelho. Pela primeira vez, Mary Anny enxerga não apenas sua imagem, mas a máscara que carregou por anos. Nesse instante, algo dentro dela se rompe. As lágrimas que caem não são apenas suas, mas de gerações de mulheres silenciadas.
| ISBN | 9786501966403 |
| Número de páginas | 182 |
| Edição | 1 (2026) |
| Formato | 16x23 (160x230) |
| Acabamento | Brochura c/ orelha |
| Coloração | Preto e branco |
| Tipo de papel | Offset 90g |
| Idioma | Português |
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