"A República não chegou esta manhã com estrondo — chegou com o silêncio de tudo o que ficou de pé depois de cair." Lisboa, 6 de outubro de 1910. O dia seguinte à revolução que derrubou a monarquia. Na redação vazia do jornal Eco Republicano, Clara Mendonça insere uma folha limpa na sua máquina de escrever Remington Number 6. Dedos manchados de tinta, ela escreve o manifesto que definirá o novo regime. No dia seguinte, o texto é impresso em letras garrafais. A autoria, no entanto, pertence a Eugénio Fonseca — o diretor que dita ordens, assina o que não escreve e recebe os louros de uma genialidade que não possui. Clara é a voz invisível da revolução. Mas a história de Clara não é a primeira. Séculos antes, em setembro de 1755, nas vésperas do devastador terremoto que mudaria Lisboa para sempre, Catarina de Brito passa os dias no Scriptorium da Casa das Rainhas. Entre contratos legais e salmos bíblicos, Catarina copia manuscritos com uma perfeição milimétrica e oculta, sob o anonimato imposto às mulheres da sua época, o seu próprio talento artístico — personificado numa flor proibida pintada à margem de um fólio. Através dos séculos, as vidas de Clara e Catarina entrelaçam-se pelo fio invisível das palavras que nunca puderam assinar. Quando o enigmático fotógrafo Álvaro Seabra começa a capturar Clara através da sua lente, e Inês — a própria esposa de Eugénio — reconhece o roubo literário do marido, Clara é forçada a confrontar a fronteira entre o silêncio protetor e o perigo
| Número de páginas | 281 |
| Edição | 1 (2026) |
| Formato | A5 (148x210) |
| Acabamento | Brochura c/ orelha |
| Coloração | Preto e branco |
| Tipo de papel | Ahuesado 80g |
| Idioma | Português |
Tem algo a reclamar sobre este livro? Envie um email para [email protected]
Faça o login deixe o seu comentário sobre o livro.