O ensaio propõe uma leitura de Macunaíma, de Mário de Andrade, a partir de uma perspectiva teogônica indígena, buscando compreender a dimensão ritualística da feitura do Muyraquitã e iluminar aspectos da cultura ancestral amazônica e de seus Encantados, reelaborados ficcionalmente pelo autor. A obra é analisada como uma construção hermética e multifacetada, cuja complexidade permite múltiplos desdobramentos interpretativos.
O ensaio destaca que a narrativa fragmentada e a profunda erudição do romance resultam não apenas da extensa pesquisa etnográfica de Mário de Andrade, mas também de sua formação musical. Ao definir o livro como uma rapsódia, o autor evidencia a influência da dinâmica criativa da música em sua composição: uma estrutura que articula mitos, lendas e folclore com liberdade inventiva, sem perder o rigor simbólico. Nada é casual — inclusive o uso recorrente de elementos da mitologia amazônica, como os Encantados, cuidadosamente integrados ao tecido narrativo.
A metáfora da “casa de farinha” reforça essa leitura. Tal como o espaço amazônico onde a mandioca é transformada em diferentes tipos de farinha — em meio a um convívio social intenso e a um “caos organizado” —, o romance opera como um lugar de transformação cultural: mistura vozes, sons, mitos e saberes, compondo uma rapsódia literária onde tudo encontra seu lugar.
Em última instância, o ensaio busca reverenciar os Povos da Floresta e seus Encantados, reconhecendo na obra de Mário de Andrade uma alquimia
| Número de páginas | 73 |
| Edição | 1 (2026) |
| Formato | Pocket (105x148) |
| Acabamento | Brochura s/ orelha |
| Coloração | Preto e branco |
| Tipo de papel | Offset 80g |
| Idioma | Português |
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