Meu pai morreu dormindo, recostado sobre o lado direito do corpo, a coberta ajustada até o peito, o travesseiro encaixado entre os joelhos, exatamente como dormira por sessenta e oito anos.
Assim começa este livro, e assim começou também o caminho do autor de volta para enterrar um pai com quem se falava pouco, e para encontrar, na pequena casa do velho, no caixão simples, na reação da mãe àquela morte, o desenho de uma ausência que ele carregava havia décadas sem saber nomear.
Aos quarenta anos, casado, pai de dois meninos, o autor volta no tempo para reconstruir a história de um menino que aprendeu cedo a não precisar de ninguém e confundiu esse aprendizado com independência. Da casa da infância ao primeiro apartamento longe de casa, da apendicite que ele operou sozinho ao consultório onde, muito depois, finalmente entendeu o que era aquele gelo no peito, este é um livro sobre o que se herda em silêncio. Sobre mães que amam dentro dos limites que ninguém as ajudou a expandir. Sobre pais que se vão antes que a gente saiba o que perguntar. Sobre a conta afetiva que o dinheiro não cobre.
E, no fim, sobre o gesto mais difícil de todos: olhar para a corrente que vem de longe, segurá-la com as duas mãos, e dizer "aqui". É aqui que ela quebra.
| Número de páginas | 208 |
| Edição | 1 (2026) |
| Formato | 16x23 (160x230) |
| Acabamento | Brochura c/ orelha |
| Coloração | Preto e branco |
| Tipo de papel | Ahuesado 80g |
| Idioma | Português |
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