Te amar foi uma das minhas escolhas mais torturantes, daquelas que já nascem sangrando. Foi como sentir uma estaca atravessando o peito dia após dia, enquanto eu ainda tentava chamar isso de amor. Ver o modo como você reduzia meu afeto a migalhas, como se meu sentir fosse lixo aos seus olhos, fez germinar em mim a falsa certeza de que eu não merecia amor nenhum, de que ser amada era um território onde eu jamais pisaria.
Garoto, você esgotou minhas reservas de amor por uns vinte anos. E cada gota de sangue que me escapava, eu convertia em poesia, desde o primeiro instante em que te vi, eternizei tudo nestas páginas.
E ainda assim, não se engane: este livro não é para você. Ele não é um altar, não é um bilhete deixado na sua porta, não é confissão. Ele é mais parecido com um consultório silencioso, onde eu sou, ao mesmo tempo, a paciente que sangra e a psicóloga que tenta costurar as feridas.
107 dias é, e sempre será, inteiramente meu. Meu amor, que por algumas semanas te colocou como personagem, mas você nunca passou de um coadjuvante em uma história escrita muito antes de você chegar.
107 dias é o meu amor na sua forma mais pura: sem medo, sem freio, sem disfarce. Porque, depois de tudo, eu finalmente entendi que o amor mais exagerado que existiu aqui… foi o meu por mim mesma.
| Número de páginas | 76 |
| Edição | 1 (2026) |
| Formato | A5 (148x210) |
| Acabamento | Brochura c/ orelha |
| Coloração | Preto e branco |
| Tipo de papel | Ahuesado 80g |
| Idioma | Português |
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