Convexo e Reconvexo

Por Olívia Pearce

Código do livro: 1066262

Categorias

Memórias Pessoais, Composição E Escrita Criativa, Poesia, Não Ficção, Família E Relacionamentos

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Sinopse

Olívia Pearce sempre escreveu em segredo: como abrigo, como alívio, como resistência, como autocrítica e reflexão. Autora já resolveu muitos dilemas, aflições, dores e solidão enquanto escrevia. Entretanto, somente agora, Em “Convexo e Reconvexo” decide tirar o véu, se desnudar, se revelar. São dezanove fragmentos crus, orgânicos e viscerais, sem nenhum senso de estética ou mesmo alinhada com qualquer escola. Entre cartas, súplicas, confissões e, no meio ainda um samba que fecha o livro, sobre uma mulher que se recusa a ser metade. Uma mulher que leva dentro a coisa mais preciosa que lhe pertence: Coragem. Pois, atravessou desertos internos e um oceano em busca de pertencimento, e só o encontrou dentro de si, através de seus textos.

Como um presente exclusivo para são queridos e corajosos leitores, a autora oferece mais uma experiência sensorial para além da leitura. Em seu último texto: "Um Samba que fiz para Ti", com muita sensibilidade, a autora o transforma o texto numa linda melodia, exatamente como a imaginou ao escrever a letra. Basta apontar seu telemóvel para o QRcode integrado ao texto, que o leitor poderá ouvir-la. Ouvir dizer que se colocar os fones e fechar os olhos, podes te levar para uma outra dimensão.

Características

ISBN 9798173240309
Número de páginas 83
Edição 1 (2026)
Formato A5 (148x210)
Acabamento Brochura c/ orelha
Coloração Preto e branco
Tipo de papel Offset 90g
Idioma Português

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Olívia Pearce

Há livros que nascem de um projeto e livros que nascem de uma urgência. "Convexo e Reconvexo", estreia de Olivia Pearce, pertence claramente ao segundo grupo. Reunindo dezanove textos de prosa poética confessional, a obra é o resultado de uma vida inteira de escrita feita em segredo — num caderno, sem nome, sem destino — e que, pela primeira vez, decide ser lida.

Brasileira radicada em Portugal, a autora publica sob pseudónimo e faz da própria língua um território de identidade: o português do Brasil e o de Portugal convivem nas páginas em total harmonia. Não é descuido, é escolha. Na nota que abre o livro, Pearce afirma que não aceitou polir os textos para caberem num só sotaque, "quando as duas vivem em mim".

O que se lê é um mosaico de registos. Há a poesia com dispositivo formal e rima interna ("Eu Não Sei Amar Pouco"); a crónica de memória ("Pequenos Grandes Detalhes", sobre cinquenta anos de um casamento visto de uma janela); a carta ("Minha Querida M."); o texto escrito à beira de um tratamento oncológico, que dá título ao livro; e, no fecho, um samba. A fé de matriz afro-brasileira, vivida sem folclorização, atravessa vários textos, sobretudo "Atotô Meu Pai, Atotô", em que o gesto de preparar um banho de ervas para quem se ama doente se torna, ao mesmo tempo, oração e ato de cuidado.

Para além disso, surgiu ainda uma nova componente que Pearce considera particularmente relevante para o projeto.

O texto final de Convexo e Reconvexo: “Um samba que fiz pra ti”, como forma de presentear seus leitores, com muita sensibilidade o transformou em melodia, levando para os leitores a vivenciar uma no experiência para além da leitura.

Assim ao final desse texto: "Um Samba que fiz para Ti", foi integrado um QR Code associado a esse texto, através do qual o leitor poderá aceder, com exclusividade, a canção que dele nasceu.

Considero que esta componente poderá conferir a "Convexo e Reconvexo" uma identidade particularmente própria e diferenciadora que o leitor poderá experenciar.

O maior mérito do livro está na recusa do meio-termo. Pearce não suaviza a raiva ("O Diabo que não te Quis"), não embeleza a culpa, não finge consolo onde ele não existe. O título aponta o gesto que organiza a obra: reordenar as mesmas palavras para mudar a perspetiva sobre a mesma verdade — não para mentir, mas para tornar suportável o que, de outro modo, esmagaria.

Nem tudo é igualmente polido. A escrita, assumidamente orgânica, tem a aspereza de quem escreve por necessidade e não por estética. Mas é justamente essa aspereza que sustenta a verdade do conjunto: aqui, a imperfeição não é falha, é autenticidade.

"Convexo e Reconvexo" é um livro para quem já sentiu tudo, e tudo ao mesmo tempo — e para quem procura na literatura não um abrigo bonito, mas um lugar onde a dor possa finalmente ter nome.

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