O texto corresponde aos primeiros capítulos do Livro dos Jubileus, um escrito judaico do período do Segundo Templo, geralmente datado entre o século II a.C. e o I a.C. Trata-se de um dos mais importantes pseudepígrafos, preservado quase integralmente na tradição etíope e parcialmente em fragmentos de Qumran. O documento traz exatamente a característica central dessa obra: uma reescrita do Gênesis e parte do Êxodo sob uma ótica sacerdotal, legalista e profundamente interessada em organizar o tempo sagrado.
Percebe-se já nas primeiras linhas a figura do “anjo da presença", que dita a Moisés a história da criação. Esse recurso literário tem dupla função: legitimar o conteúdo como revelação celestial e, ao mesmo tempo, afastar a narrativa da simplicidade do Gênesis, oferecendo uma versão cosmológica mais detalhada, repleta de categorias angelológicas e subdivisões espirituais. A criação dos “anjos dos ventos, das trevas, da neve, do trovão, do relâmpago” é típica da angelologia judaica do período intertestamentário, especialmente refletida também em 1 Enoque. A multiplicação de seres celestiais mostra um universo hierarquizado e ritmado, onde cada força da natureza é administrada por um espírito.
| Edição | 1 (2026) |
| Idioma | Português |
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