Este livro nasceu de uma herança que a palavra “bebida” já não basta para conter. Nasceu de um modo de olhar a matéria e de dar destino ao que sobra com dignidade. A grappa, a graspa, a bagaceira – pouco importa aqui o nome regional – pertence à antiga sabedoria dos povos que aprenderam a não desperdiçar fruto, trabalho e tempo. Ela é filha da necessidade, mas também da memória.
A Casa Fontanari se inscreve nessa linhagem. Não como quem repete um passado por nostalgia, mas como quem compreende que tradição não é imobilidade. Tradição é critério: saber o que merece permanecer e o que deve ser deixado para trás. A técnica se aperfeiçoa, os instrumentos se refinam e os controles se tornam mais exatos, mas o princípio continua o mesmo: separar, cuidar, reduzir, discernir e identificar. O bom destilado não nasce do excesso, mas da lucidez de preservar apenas o que alcançou forma o bastante para durar.
Por isso, este livro não é apenas um manual sobre grappa. É também uma tentativa de resgatar uma ética antiga do fazer e, com ela, a sobriedade de uma busca alquímica que jamais desapareceu por completo. Aqui se fala de história da destilação, de alambiques, cobre, condensação, fermentação, cortes, metanol, aromas, madeira, degustação e serviço.
| Número de páginas | 100 |
| Edição | 1 (2026) |
| Idioma | Português |
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