Há lugares onde o tempo se acumula. Não o tempo abstrato dos relógios, mas o tempo que tem peso, cheiro, memória. Um desses lugares é a cangosta de S. Paio de Antas, o velho caminho de pedra que desce entre muros graníticos até ao portão da Quinta dos Cunhas. Ali, no muro, quatro cruzes contam histórias que as pedras não deviam precisar de contar — mas contam, porque os homens teimam em esquecer.
As Quatro Cruzes da Cangosta é um romance memorialístico que parte de um monumento real para reconstituir as vidas de gente anónima entre 1742 e 1847. Fernão Gil, camponês que tombou por um coelho que nunca viu. D. Diogo da Cunha, fidalgo que morreu em duelo por um olhar. Um rapaz de Belinho, abatido pelos franceses à porta da quinta. Manuel Caroça, pai de quatro filhos, morto por outros portugueses na guerra civil da Patuleia.
Os diálogos são inventados, os sentimentos são imaginados. Mas os nomes são verdadeiros. E as datas. E os factos. O livro alterna entre a concisão seca da epigrafia e a densidade sensorial da ficção — o cheiro da chuva numa choça, o brilho da espada ao nascer do sol, o terço da avó pisado no chão, o leite que ainda escorre do peito de uma viúva. São estas as verdades que a pedra não grava, mas que a memória — esta memória que é um país inteiro — não pode deixar morrer.
Escrito como uma carta a quem já partiu, As Quatro Cruzes da Cangosta é um livro sobre a morte, mas sobretudo sobre a vida. Sobre os que ficam e se lembram.
| Número de páginas | 105 |
| Edição | 1 (2026) |
| Formato | A5 (148x210) |
| Acabamento | Brochura c/ orelha |
| Coloração | Preto e branco |
| Tipo de papel | Ahuesado 80g |
| Idioma | Português |
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