“Aqui, coelhos não correm. Eles são caçados.”
Era uma vez uma menina chamada Alice. Mas essa
Alice não vivia no País das Maravilhas. Onde ela vivia não
havia coelhos apressados, chás quentinhos ou chapéus
malucos. Havia um bar de luz baixa, um vestido vermelho e
um homem chamado Erick.
Aqui, o buraco não leva a um mundo encantado.
Leva a corredores abafados com cheiro de medo, a portas
que se trancam sozinhas e a espelhos que mentem com
ternura. As poções não encolhem, elas apagam. As flores
não falam, observam. E o relógio não marca horas; ele
marca a próxima visita.
Neste lugar, sonhos são leiloados a preço de carne.
Toda escolha é armadilha. Todo afeto, isca. O tempo, esse
vilão cortês, dança com monstros de sorriso fácil e mãos
ocupadas.
Alice caiu, e ninguém avisou que cair é só o começo.
Porque aqui, até o fundo do poço tem porão. E nele,
mulheres viram números, bebês, produtos, nomes se
desfazem com a mesma facilidade que promessas, e o amor
sobrevive apenas como truque barato de ilusionista bêbado.
Alice
14
Entre delírios e pancadas, danças e cicatrizes, Alice
precisa lembrar quem é antes que seu nome seja apagado,
antes que sua história vire apenas mais uma fábula
esquecida, escrita com sangue e silêncio.
Talvez, só talvez, um último suspiro também seja
um primeiro passo.
Bienvenue en enfer!
| Número de páginas | 160 |
| Edição | 1 (2026) |
| Formato | A5 (148x210) |
| Acabamento | Capa dura |
| Coloração | Preto e branco |
| Tipo de papel | Offset 90g |
| Idioma | Português |
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