Existem lugares que não foram construídos para hospedar pessoas.
Foram construídos para guardá-las.
O Hotel Vereda é um desses lugares.
Entre corredores abafados, relógios atrasados e quartos que respiram silêncio, existe algo que observa. Algo antigo, paciente e meticuloso. Uma presença que não arranca portas, não provoca gritos na madrugada e não precisa correr atrás de ninguém. Porque algumas prisões não têm grades.
Têm rotina.
Têm crachá.
Têm fichas de registro cuidadosamente organizadas em gavetas de aço.
A Mulher do Quarto 314, de Nayara Oliveira, nasce do medo mais humano de todos: o medo de desaparecer sem perceber. Não morrer — desaparecer. Ser lentamente substituído pela função que exerce, pelos nomes que carrega, pelas versões
que o mundo exige até que já não reste ninguém capaz de lembrar quem você era antes.
Helena Duarte não entrou apenas em um quarto interditado.
Ela abriu uma fissura.
E algumas fissuras não conduzem ao desconhecido — conduzem a nós mesmos.
Este livro é um mergulho em identidade, solidão e permanência.
É sobre hotéis que envelhecem observando pessoas.
Sobre mulheres que sobrevivem tanto tempo no mesmo lugar que começam a se tornar parte das paredes.
Sobre nomes roubados.
Memórias adulteradas.
E sobre o terror silencioso de perceber que talvez a realidade funcione como um arquivo: tudo o que deixa de ser lembrado é movido para outra pasta.
| ISBN | 9786502144169 |
| Número de páginas | 100 |
| Edição | 1 (2026) |
| Idioma | Português |
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