✍️ BIOGRAFIA
Leandro Ben Yehudah — Leandro Bezerra Falcão
Desde os 11 anos de idade, sempre fui quem buscava entender profundamente tudo o que lia e ouvia. Já então, ao estudar as Escrituras, percebi: os cinco livros da Torá são leis supremas, inspiradas por Deus e eternas, que devem ser cumpridas. Ao ler depois o Novo Testamento, encontrei claras incoerências e pontos que não se alinham entre a Torá e o Novo Testamento, nem com o Antigo Testamento como um todo. Perguntei a pastores, padres e pessoas mais velhas, mas nunca recebi respostas que me satisfizessem.
Aceitei convites para conhecer diversas igrejas, mas nunca me adaptei — pareciam mais voltadas a festas, costumes próprios e práticas que considero idólatras, do que ao culto fiel e exclusivo ao Eterno.
Pratiquei esportes com muita dedicação: sou ex‑atleta de ciclismo. Além do meu serviço como eletricista, também mantinha na minha própria casa um lava‑jato e uma borracharia; o movimento era grande, funcionava praticamente em turno contínuo, contava com funcionários e tudo organizado e funcionando bem — até o dia 4 de outubro de 2011 — ou 2 de outubro, conforme lembro com clareza: sofri acidente grave no serviço de eletricista, ao cair de cerca de 5 metros de altura.
A escada de madeira, com cerca de 13 a 14 metros, balançou e veio abaixo comigo. No momento da queda, clamei ao Deus Todo‑Poderoso: “Não posso morrer — tenho três filhos pequenos… o que será deles se eu morrer?”. A escada acertou meu ombro e atingiu a clavícula — fraturada parcialmente; até hoje trago a marca desse impacto. A dor que senti foi tão grande que gritei tão alto que, no outro galpão, do outro lado, na outra empresa, conseguiram ouvir o meu grito.
Ao chegar ao solo, o pé direito deslocou‑se; o peso da força foi tão grande que não consegui amortecer, sentando‑me sobre a coluna: vértebra L2 esmagada, lesões também em L4, L5 e S1, além de hérnias de disco na região torácica e cervical. O capacete ficou rachado; cálculos indicam força de impacto superior a 1 200 kg. Não desmaiei nem um instante — senti toda a dor e esperei cerca de duas horas por socorro, sem recursos adequados na época.
No trajeto pela Rodovia Arthur Bernardes rumo ao Hospital Metropolitano de Belém — Unidade de Trauma — sofri duas paradas cardíacas, com cerca de 8 a 10 minutos sem sinais vitais. A médica aplicou duas doses de adrenalina sem resultado, e passou a massagem cardíaca contínua.
✨ Experiência de quase‑morte:
Minha alma saiu do corpo e pude ver e ouvir tudo claramente, de uma posição elevada acima da ambulância — conversas, procedimentos, até quando uma enfermeira deixou cair o desfibrilador aos pés, atrás de si. Vi uma luz intensíssima, tão forte que cobri os olhos com a mão para conseguir distinguir algo. Então ouvi uma voz forte, profunda e serena, vinda do interior da luz:
“Deixa ele voltar… ainda não cumpriu o seu papel — a missão não está completa.”
Desci lentamente e retornei ao corpo. Depois, ao contar cada detalhe exato aos socorristas — o que disseram, fizeram, equipamento que caiu — todos confirmaram: não havia forma de eu saber tais coisas, pois estava clinicamente sem vida.
📌 Depois do acidente:
Passei anos tentando me recuperar e exercer atividades que me fossem possíveis para sustentar a família, mas a dor era muito intensa. Com o tempo, como não consegui mais manter o ritmo nem a força necessária, tudo se encerrou: o lava‑jato, a borracharia e os outros trabalhos pararam de funcionar; não tive mais condições de tocar nem de acompanhar. Começava alguma função e logo tinha que interromper; vivia indo a hospitais e UPAs para receber injeções e remédios fortes para a coluna — tomei muitos medicamentos que, com o tempo, acabaram me deixando ainda mais debilitado.
Cheguei a morar em outro estado e depois em Altamira, mas precisei voltar a Belém para tratamento especializado pela Rede SARAH. Após cerca de um ano de acompanhamento, minha esposa pediu divórcio, alegando não querer mais prosseguir, pois eu já não tinha condição de prover como antes. Fiquei então morando com minha mãe, continuei os cuidados e, no dia 4 de maio de 2025, realizei a cirurgia: instalação de seis pinos e duas hastes na coluna vertebral.
Hoje: completa‑se um ano da operação, e já há sete meses retomei o trabalho como motorista de aplicativo. Continuo solteiro. Meus dois filhos mais velhos moram comigo; a filha caçula permanece com a mãe em Altamira.
Ao longo de tudo isso — dores, afastamentos, perdas e lutas — segui estudando com persistência durante cerca de 15 anos. Por volta de 2022, encontrei finalmente a verdadeira origem: nas escrituras dos antigos hebreus, povo judeu. Tudo começou ao ver um material sobre a guerra em Israel e sobre os sobrenomes judaicos sefarditas que chegaram ao Brasil — quando reconheci os nomes da minha própria linhagem: Falcão e Leão.
Essas famílias fugiram da perseguição da Inquisição por volta de 1500 e vieram para o Brasil, guardando a fé e as tradições em segredo, por gerações. Com o tempo, sob pressão, muitos deixaram de ensinar aos filhos, e a identidade judaica foi perdida formalmente, restando apenas vestígios que resistiram:
• Não varrer a casa de dentro para fora — para “não varrer a bênção”;
• Não apontar o dedo para as estrelas — associado ao início do Shabat;
• E outras práticas que pareciam apenas “costumes antigos”, mas tinham raiz judaica.
Na época da Inquisição, quem fosse visto fazendo isso era denunciado como “judaizante”, preso, condenado até à morte, e seus bens confiscados pela Igreja e pelo Estado.
Mesmo com todas as marcas que carrego no corpo e na história, sou um homem que respira memória todos os dias. Este livro cumpre a missão que me foi confiada: reunir verdade, raiz, tradição e trajetória — desde os tempos de Adão e Eva e de seus filhos, passando por toda a história, até os dias da Inquisição e o legado que chegou até nós.
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