A Flauta Mágica pode ser lida, sob um ponto de vista católico tradicional, como uma alegoria moral da peregrinação da alma humana em direção à verdade, à ordem e à virtude, ainda que o libreto incorpore elementos simbólicos de origem iluminista e iniciática que não se confundem com a doutrina católica.
A narrativa acompanha Tamino, jovem príncipe que, após ser salvo do perigo, é chamado a uma missão que aparenta ser de caráter cavaleiresco: resgatar Pamina, supostamente vítima da tirania de Sarastro. No desenvolvimento da obra, revela-se que a oposição inicial entre a Rainha da Noite e Sarastro não é meramente política, mas simbólica: a Rainha representa as paixões desordenadas, a vingança, a irracionalidade e o apego às trevas; Sarastro, por sua vez, personifica a autoridade fundada na razão, na disciplina moral e na ordem objetiva, elementos que, na tradição católica, se aproximam da ideia de lei natural.
Tamino e Pamina são conduzidos a provas que exigem silêncio, domínio de si, fidelidade e perseverança. Essas provações podem ser interpretadas, em chave cristã, como exercícios de ascese moral, nos quais o homem é chamado a submeter seus impulsos à reta razão, orientando a vontade para o bem. A flauta mágica e os sinos não simbolizam um poder autônomo do homem, mas podem ser compreendidos como instrumentos da harmonia, isto é, da graça que ordena e pacifica a criação quando esta se submete ao bem.
Papageno, figura cômica e terrena, representa o homem dominado pelos apetites imediatos e pela busca de satisfações sensíveis. Sua trajetória não culmina na sabedoria superior, mas na realização legítima de bens naturais — o matrimônio e a vida simples —, em consonância com a visão católica segundo a qual nem todos são chamados aos mesmos graus de perfeição espiritual, embora todos sejam chamados à ordem moral.
O desfecho da ópera afirma a vitória da luz sobre as trevas, da ordem sobre o caos e da virtude sobre a paixão desregrada. Embora o vocabulário simbólico da obra não seja explicitamente cristão e dialogue com concepções próprias de seu tempo, a leitura católica tradicional permite compreender A Flauta Mágica como uma narrativa moralizante, na qual se reafirma a necessidade de submissão da vontade à verdade objetiva, o valor da autoridade legítima e a centralidade da virtude como caminho para a verdadeira felicidade.
| Número de páginas | 302 |
| Edição | 1 (2016) |
| Formato | A5 (148x210) |
| Acabamento | Brochura c/ orelha |
| Coloração | Preto e branco |
| Tipo de papel | Offset 80g |
| Idioma | Português |
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