O texto reúne a narrativa do dilúvio contada por Utnapishtim a Gilgámesh, conforme a tábua XI da Epopeia de Gilgámesh, preservada sobretudo na versão ninivita padronizada por Sin-léqi-unninni (século XIII–XI a.C.). O texto encontrado se aproxima bastante das traduções modernas padrão de George (2003) , Dalley (2000) e Kovacs (1998) , ainda que com liberdade interpretativa. O relato centra-se na revelação feita por Ea (Enki) a Utnapishtim, instruindo-o a construir um barco para sobreviver à inundação decretada pelos deuses.
O que o texto apresenta está de acordo com a estrutura canônica: anúncio secreto, construção da embarcação, enchente devastadora, pouso no Monte Nisir, envio das aves, sacrifício após a sobrevivência, disputa divina e concessão da imortalidade. Porém, como ocorre em versões divulgadas na esfera religiosa popular, erroneamente, o texto é chamado de “evangelho apócrifo”, terminologia que não pertence ao campo acadêmico e cria uma associação anacrônica com a literatura cristã apócrifa. Trata se, na verdade, de literatura mitológica mesopotâmica.
| Edição | 1 (2026) |
| Idioma | Português |
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