Este livro convida o leitor a algo raro: ver a psicanálise afastar-se do divã europeu e escutar outro corpo, outro território simbólico, outro modo de inscrição subjetiva. Convida também a perceber, no ritual afro-brasileiro, não apenas espiritualidade, mas um sistema complexo de elaboração psíquica, lapidado por séculos de sobrevivência e criação.
Ao longo dos capítulos, a encruzilhada deixa de ser apenas metáfora para tornar-se método: ponto onde discursos se cruzam, onde a palavra analítica encontra a palavra ritual, onde a repetição neurótica dialoga com o destino do Orí, onde a pulsão e o axé se reconhecem em seus movimentos de fluxo e retorno. Exu, mestre da passagem e do conflito, serve aqui como guia epistemológico — aquele que sabe que nenhuma verdade é entregue sem atravessamento.
A proposta desta obra não é esgotar o diálogo entre psicanálise e religiões de matriz africana — tarefa inalcançável —, mas abrir uma trilha rigorosa, sensível e intelectualmente honesta. Aqui, a neurose não é tratada como patologia a ser extirpada, mas como estrutura que pode ser compreendida, atravessada e reconduzida.
O terreiro, por sua vez, não aparece como exotismo ou misticismo, mas como espaço simbólico sofisticado, produtor de subjetividade e operador de sentido.
| ISBN | 9786585999472 |
| Número de páginas | 152 |
| Edição | 1 (2025) |
| Formato | A5 (148x210) |
| Acabamento | Brochura c/ orelha |
| Tipo de papel | Offset 80g |
| Idioma | Português |
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